Sinopse: Jonathas, um menino órgão, é adotado por uma nova família. Porém, é entregue de volta ao orfanato devido ao seu jeito “diferente”. Inspirado em eventos reais.
https://www.imdb.com/title/tt8321590/?ref_=nm_knf_t_2
O Órfão tem como protagonista Jonathas, interpretado por Kauan Alvarenga. É ja na cena de abertura, é com uma despretensão impressionante que ele traz nuances a Jonathas, uma presença iluminada, energética, caótica e inocente. É um personagem com uma força gravitacional capaz de trazer o espectador para perto de si, uma atração que surge através do talento e a oportunidade ideal para que ele seja contemplado.
Jonathas viveu mais em seus poucos anos de vida do que uma criança deveria viver. Por ser homossexual, foi quase adotado por diversos casais para, pouco depois, retornar ao orfanato em que mora para ficar, novamente, à espera de uma nova oportunidade.
Apesar desse fato ser evidenciado no diálogo entre Jonathas e Leila (Clarisse Abujamra), assistente social que trabalho no orfanato, é na cena do primeiro jantar de Jonathas em uma casa nova que ele expõe essa história pregressa. Seu nervosismo e ao mesmo tempo familiaridade com a situação contam muito sobre a personagem, concisão e valiosa em um filme de 15 minutos.
Cercado de cores frias, o mundo de Jonathas é preenchido por sua rica imaginação, alimentada por expectativas e uma versão de si mesmo que o mundo não está preparado para conhecer.
A edição não-linear (uma decisão tomada durante a montagem) traz um ritmo bem-vindo, alternando flashbacks (as cenas de Jonathas com o casal de adotantes e também com sua amiga) e presente, no diálogo com Leila.
O curta é um retrato sobre espera e a quase morte da expectativa, ao mesmo tempo que mostra a resiliência de Jonathas, que não se desvia de ser quem é e de ser aceito sem concessões.


